Para cada laranja que vendia, ela fazia uma marquinha com lápis num pedaço de papel, pois não sabia ler nem escrever. Tirei uma foto e jurei que faria tudo o que estivesse ao meu alcance para ajudar a educar garotas como ela. Era essa a guerra que eu ia travar. (página 228)
ouvi falar sobre Malala pela primeira vez na festa de
Reveillon de minha família (2014/2015): estava rolando uma brincadeira em que
cada um devia escolher uma pessoa para “incorporar”, devendo ser chamada pelo
nome da pessoa escolhida até o final da noite. minha mãe quis ser Malala: uma
menina paquistanesa, a mais jovem vencedora do prêmio Nobel da paz.
eu gosto muito de ler autobiografias (já li e recomendo as do Steve Jobs e da Ingrid Betancourt), e decidi ler a história de Malala Yousafzai (Eu sou Malala - 342 páginas - editora Companhia das Letras), que lutou e ainda luta pelo direito à educação das garotas pachtuns, como também de todas as pessoas as quais este direito lhes é negado. os pachtuns são um grupo etnolingüístico (creio que sejam como os carismáticos dentro da religião católica, para nós ocidentais, portanto um sub-grupo religioso dentro de uma religião maior) que praticam o islamismo, religião predominante do Paquistão. afirmam que as mulheres devem ficar em casa, cuidando do lar, e não devem frequentar as escolas, principalmente após a adolescência. elas também não podem sair de casa sem que estejam acompanhadas do marido, ou de algum homem que seja seu parente. Malala foi contra várias dessas práticas, com ajuda de seu pai, fervoroso militante das causas sociais; batalhou para que milhares de meninas pudessem aprender a ler e a escrever, além de outras coisas. é um bom livro, que mostra a importância da educação para o ser humano. a educação é a porta para a formação do pensamento crítico, da autonomia e do ser humano como agente social ativo. é mais fácil dominar os que estão alheios à realidade.
é um verdadeiro livro de história, pois fala muito sobre religião, educação, choques culturais, política e o Talibã (milícia fundamentalista que atua na região), pelos olhos de uma pessoa que nem completou 20 anos ainda! Relata o dia a dia de uma sociedade que tem como princípios a hospitalidade (é quase um crime se negar a acolher alguém em sua casa, mesmo faltando espaço, água ou comida), a realização de cinco orações diárias em árabe (ao alvorecer, depois do meio-dia, entre o meio dia e o pôr-do-sol, uma hora após o pôr-do-sol e à noite), o jejum durante o Ramadã e a peregrinação à Meca pelo menos uma vez na vida. São bastante religiosos, portanto.
olhando por outros ângulos, existem pessoas que acreditam que “a religião é o ópio do povo”, em parte eu até concordo; é muito comum referências religiosas usarem de sua influência visando seus próprios interesses, imaginem numa sociedade pouco instruída! Malala relata fatos realmente surpreendentes, que chegam a provocar muita indignação para uma pessoa ocidental.
a vida de Malala mudou radicalmente, e essas mudanças repercutiram no mundo inteiro, entre aqueles que, como eu, tiveram a oportunidade de conhecê-la um pouco melhor. tenho sorte por saber ler e escrever; no mundo, existem 57 milhões de crianças fora da escola. no Paquistão, os terroristas soltam bombas em escolas, assassinam mulheres que celebram a vida através da dança (consideram isso pecado), explodem ônibus escolares.
recomendo a leitura, dentre outros motivos, justamente por causa dessa quebra de paradigmas com os quais geralmente estamos acostumados. existem pessoas muito diferentes da gente! e como!
confiram o site do fundo malala: malalafound.org
Nota: 10.
eu gosto muito de ler autobiografias (já li e recomendo as do Steve Jobs e da Ingrid Betancourt), e decidi ler a história de Malala Yousafzai (Eu sou Malala - 342 páginas - editora Companhia das Letras), que lutou e ainda luta pelo direito à educação das garotas pachtuns, como também de todas as pessoas as quais este direito lhes é negado. os pachtuns são um grupo etnolingüístico (creio que sejam como os carismáticos dentro da religião católica, para nós ocidentais, portanto um sub-grupo religioso dentro de uma religião maior) que praticam o islamismo, religião predominante do Paquistão. afirmam que as mulheres devem ficar em casa, cuidando do lar, e não devem frequentar as escolas, principalmente após a adolescência. elas também não podem sair de casa sem que estejam acompanhadas do marido, ou de algum homem que seja seu parente. Malala foi contra várias dessas práticas, com ajuda de seu pai, fervoroso militante das causas sociais; batalhou para que milhares de meninas pudessem aprender a ler e a escrever, além de outras coisas. é um bom livro, que mostra a importância da educação para o ser humano. a educação é a porta para a formação do pensamento crítico, da autonomia e do ser humano como agente social ativo. é mais fácil dominar os que estão alheios à realidade.
é um verdadeiro livro de história, pois fala muito sobre religião, educação, choques culturais, política e o Talibã (milícia fundamentalista que atua na região), pelos olhos de uma pessoa que nem completou 20 anos ainda! Relata o dia a dia de uma sociedade que tem como princípios a hospitalidade (é quase um crime se negar a acolher alguém em sua casa, mesmo faltando espaço, água ou comida), a realização de cinco orações diárias em árabe (ao alvorecer, depois do meio-dia, entre o meio dia e o pôr-do-sol, uma hora após o pôr-do-sol e à noite), o jejum durante o Ramadã e a peregrinação à Meca pelo menos uma vez na vida. São bastante religiosos, portanto.
olhando por outros ângulos, existem pessoas que acreditam que “a religião é o ópio do povo”, em parte eu até concordo; é muito comum referências religiosas usarem de sua influência visando seus próprios interesses, imaginem numa sociedade pouco instruída! Malala relata fatos realmente surpreendentes, que chegam a provocar muita indignação para uma pessoa ocidental.
a vida de Malala mudou radicalmente, e essas mudanças repercutiram no mundo inteiro, entre aqueles que, como eu, tiveram a oportunidade de conhecê-la um pouco melhor. tenho sorte por saber ler e escrever; no mundo, existem 57 milhões de crianças fora da escola. no Paquistão, os terroristas soltam bombas em escolas, assassinam mulheres que celebram a vida através da dança (consideram isso pecado), explodem ônibus escolares.
recomendo a leitura, dentre outros motivos, justamente por causa dessa quebra de paradigmas com os quais geralmente estamos acostumados. existem pessoas muito diferentes da gente! e como!
confiram o site do fundo malala: malalafound.org

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